82,8% AINDA NÃO SABEM EM QUEM VOTAR PARA DEPUTADO ESTADUAL NO MARANHÃO E DISPUTA SEGUE TOTALMENTE ABERTA

Pesquisa IPPI mostra cenário pulverizado, com nenhum nome chegando a 1% das citações espontâneas; nova rodada prevista para esta semana pode começar a revelar quem realmente ganhou força após o início oficial da campanha


 

Enquanto a disputa pelo Governo do Maranhão e pelas vagas ao Senado concentra grande parte das atenções, uma outra eleição segue como uma verdadeira incógnita para a maioria dos maranhenses: a corrida pelas 42 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Pesquisa realizada pelo Instituto IPPI entre os dias 8 e 12 de julho de 2026 revelou um dado que chama atenção: 82,8% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar para deputado estadual.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 80 municípios, distribuídos pelas cinco mesorregiões do Maranhão, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número MA-09885/2026.

Ninguém chegou a 1%

O tamanho da indefinição fica ainda mais evidente quando são observadas as citações espontâneas.

Na modalidade espontânea, o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos. O eleitor simplesmente responde o nome de quem pretende escolher.

Mesmo com 99 nomes mencionados, nenhum candidato a deputado estadual alcançou sequer 1% das intenções de voto.

Maedja Campos apareceu com 0,7%, enquanto outros nomes ficaram ainda abaixo desse percentual.

É uma fotografia que mostra uma eleição pulverizada, sem liderança consolidada e, principalmente, com um enorme contingente de votos ainda em busca de destino.

Décimos não significam eleição garantida

É justamente nesse cenário que é preciso ter cautela com interpretações precipitadas.

Quando mais de oito em cada dez entrevistados ainda não sabem em quem votar, diferenças de 0,1%, 0,2% ou 0,5% entre candidatos não podem ser tratadas como garantia de eleição, favoritismo absoluto ou definição das futuras cadeiras da Assembleia.

Pesquisa espontânea mede, principalmente, lembrança naquele momento da campanha.

E a eleição para deputado estadual é proporcional.

Isso significa que, além da votação individual, entram na conta fatores como o desempenho total do partido ou federação, quociente eleitoral, distribuição das vagas e desempenho dos demais candidatos que compõem cada nominata.

Ou seja: não basta olhar apenas para o nome. É preciso olhar também para o partido e para quem disputa ao lado dele.

PL e Republicanos entram nessa conta

Essa leitura interessa diretamente ao cenário político de Açailândia.

De um lado está Ulisses Gonçalves, candidato a deputado estadual pelo PL.

Do outro, Aluísio Sousa, candidato pelo Republicanos.

A disputa entre os dois não pode ser analisada apenas pelo número individual de votos que cada um poderá conquistar em Açailândia e municípios da região.

É preciso observar também o desempenho de suas respectivas nominatas em todo o Maranhão.

No caso de Ulisses, interessa saber quantos candidatos competitivos o PL possui e qual poderá ser a votação total da legenda.

O mesmo vale para Aluísio Sousa no Republicanos, partido que reúne nomes já conhecidos da política estadual e candidatos que também disputam diretamente votos suficientes para ocupar uma das vagas da Assembleia.

Por isso, quando novos levantamentos começarem a mostrar percentuais mais consistentes para deputado estadual, o Descendo o Verbo fará também o comparativo das nominatas de PL e Republicanos, avaliando quem está pontuando, a posição dos principais candidatos e o possível impacto dessa composição na disputa pelas cadeiras.

A campanha começou de verdade depois da pesquisa

Há ainda outro detalhe fundamental.

O levantamento que apontou 82,8% de indefinição foi realizado em julho, antes da fase mais intensa da campanha eleitoral.

De lá para cá, começaram oficialmente as campanhas, cresceram as agendas pelo interior, surgiram grandes atos políticos, caminhadas, adesivaços, reuniões, alianças e as tradicionais dobradinhas entre candidatos a deputado estadual e federal.

Em Açailândia, por exemplo, Ulisses Gonçalves realizou o lançamento oficial de sua candidatura com um grande ato político na Vila Ildemar.

Aluísio Sousa, por sua vez, também ampliou sua movimentação eleitoral contando com uma estrutura política construída ao longo de anos no município.

É justamente agora que começaremos a descobrir se toda essa movimentação conseguiu sair das ruas, dos palanques e das redes sociais e efetivamente chegar ao eleitor.

Nova pesquisa pode trazer uma fotografia mais atual

Uma nova rodada da pesquisa IPPI está em andamento no Maranhão.

Registrada sob o número MA-08868/2026, a quinta rodada do instituto mede as intenções de voto para governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Esse novo levantamento será particularmente importante porque foi realizado já durante a campanha eleitoral.

Caso os resultados proporcionais sejam divulgados, será possível observar se aquele enorme percentual de eleitores sem candidato começou a diminuir e quais nomes passaram a se destacar depois do início efetivo da corrida pelas 42 vagas da Assembleia Legislativa.

O verdadeiro gigante da pesquisa ainda é o eleitor indeciso

Até lá, qualquer tentativa de apontar favoritos precisa ser feita com cautela.

Os números de julho deixaram uma mensagem muito mais forte do que a colocação individual de qualquer candidato:

82,8% ainda não haviam escolhido seu deputado estadual.

Em outras palavras, naquele momento, de cada dez maranhenses entrevistados, mais de oito ainda estavam disponíveis eleitoralmente.

Isso representa milhões de votos potencialmente em disputa.

Por isso, candidatos que hoje parecem distantes podem crescer. Nomes considerados fortes podem não confirmar expectativa. Estruturas municipais podem fazer diferença. E nominatas partidárias que aparentam ser poderosas também precisarão transformar força política em voto.

A eleição proporcional ainda tem muita água para passar debaixo da ponte.

E no Maranhão, pelo menos até a última fotografia pública mais clara dessa disputa, o maior candidato continua sendo o “ainda não sei”.

DESCENDO O VERBO!

Postagem Anterior Próxima Postagem