CONFRONTO DIRETO

Aluísio Sousa e Ulisses Chaves podem medir força política em Açailândia na disputa por vaga na Assembleia Legislativa

A eleição de 2026 para deputado estadual no Maranhão começa a movimentar os bastidores políticos de Açailândia e pode colocar em evidência dois nomes com trajetórias ligadas ao município: Aluísio Sousa, ex-prefeito de Açailândia, e Ulisses Chaves, jovem liderança, empresário do agronegócio, universitário do curso de Administração e neto do ex-prefeito Ildemar Gonçalves.

Caso ambos confirmem seus projetos eleitorais, a disputa poderá ganhar contornos de confronto político direto, principalmente por envolver nomes com ligação histórica com Açailândia e com grupos que já caminharam próximos em diferentes momentos da política local.

Aluísio Sousa construiu parte importante de sua trajetória política em um campo que contou com a presença e o apoio da família Gonçalves. Ao longo dos anos, consolidou seu nome na política açailandense, passou pelo Legislativo municipal e chegou ao Executivo.

Em 2019, Aluísio, que era vice-prefeito de Juscelino Oliveira, assumiu o comando da Prefeitura de Açailândia após a renúncia do titular. A chegada ao cargo máximo do município ocorreu dentro de um contexto político que envolvia diferentes lideranças locais, entre elas nomes ligados ao grupo dos Gonçalves, do qual Aluísio esteve próximo naquele período.

No processo eleitoral de 2020, relatos de bastidores apontam que havia expectativa sobre a composição da chapa majoritária. Um dos nomes lembrados para a vaga de vice era Cidônio Gonçalves, irmão do ex-prefeito Ildemar Gonçalves.

A composição, no entanto, seguiu outro caminho. O nome inicialmente escolhido para a vaga de vice foi Dr. Roberto da Climed. Posteriormente, Roberto acabou sendo substituído após questionamentos envolvendo sua condição partidária para disputar aquela eleição.

Com a mudança, o nome escolhido para compor a chapa como vice foi Joaquim da Proagro. Após o pleito, Joaquim renunciou ao cargo de vice-prefeito, acrescentando mais um episódio à sequência de movimentações políticas daquele período.

Sobre esse contexto, aliados de Aluísio avaliam que parte dos ruídos políticos da época pode ter sido resultado de informações desencontradas nos bastidores. Segundo essa leitura, não teria havido uma decisão deliberada de afastar o grupo Gonçalves da composição, mas sim uma sucessão de interpretações que contribuíram para o distanciamento político entre os lados.

Independentemente das versões sobre aquele período, o fato político é que os caminhos se reorganizaram. Aluísio seguiu construindo sua própria base, enquanto o grupo ligado à família Gonçalves manteve presença e influência no cenário político de Açailândia.

É nesse contexto que o nome de Ulisses Chaves passa a ganhar atenção. Jovem, com pouco mais de 20 anos, Ulisses carrega o sobrenome de uma das famílias mais conhecidas da política regional. Neto de Ildemar Gonçalves, ele surge como uma possibilidade de renovação dentro de um grupo com forte história política na região Tocantina.

Ildemar Gonçalves não é apenas mais um nome da política de Açailândia. Ele foi eleito prefeito do município por três vezes e construiu, ao longo das últimas décadas, uma das trajetórias mais influentes da região Tocantina. Sua atuação política esteve ligada à eleição de nomes importantes com base em Açailândia, como Petrônio Gonçalves, seu irmão, que chegou à Assembleia Legislativa, e Hélio Santos, seu sobrinho, que alcançou a Câmara Federal.

Ildemar também teve participação relevante em articulações políticas regionais em favor do ex-governador Jackson Lago, especialmente na região Tocantina, em um período marcado por forte disputa contra o grupo da ex-governadora Roseana Sarney.

Esse histórico ajuda a explicar por que uma eventual candidatura de Ulisses Chaves pode movimentar aliados antigos, lideranças políticas e setores que acompanharam a trajetória da família Gonçalves em Açailândia. O sobrenome, nesse caso, não entra apenas como herança familiar, mas como símbolo de uma construção política que atravessou eleições municipais, estaduais e federais.

Além da ligação familiar, Ulisses também circula em outros ambientes. No meio da vaquejada, é conhecido carinhosamente como “Vaqueirim”, apelido dado por amigos e pessoas ligadas ao esporte. Também atua no agronegócio e cursa Administração, fatores que podem ampliar seu diálogo com públicos diferentes, como juventude, setor produtivo, esporte e lideranças políticas tradicionais.

Caso avance como pré-candidato, Ulisses terá o desafio de transformar sobrenome, juventude, articulação e presença social em força eleitoral. Do outro lado, Aluísio entra no debate com experiência, histórico administrativo e base política construída ao longo dos anos.

A possível disputa entre os dois, portanto, não se resume a uma concorrência individual. Ela pode representar uma medição de força entre dois projetos com raízes em Açailândia: um liderado por um ex-prefeito experiente e outro ligado a uma família tradicional da política local.

Para o grupo Gonçalves, uma eventual candidatura de Ulisses também pode servir como demonstração de capacidade de articulação e mobilização. A tendência natural é que aliados históricos de Ildemar observem com atenção qualquer movimento envolvendo seu neto, especialmente pela relação política construída ao longo dos anos na região Tocantina.

Ildemar é reconhecido por sua habilidade de articulação e por manter diálogo com diferentes setores políticos. Por isso, mesmo diante de antigos desencontros, não se pode descartar nenhum cenário futuro. Na política, adversários de hoje podem ser aliados amanhã, assim como antigos aliados podem seguir caminhos diferentes.

O cenário ainda está em construção. Até a confirmação das candidaturas, muita coisa pode mudar: alianças, partidos, apoios, estratégias e até o desenho final da disputa.

Se Aluísio Sousa e Ulisses Chaves confirmarem candidatura a deputado estadual, Açailândia poderá acompanhar uma disputa de forte interesse político local. Se ambos forem eleitos, o município poderá contar com dois representantes com raízes na cidade na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Mas, se a divisão de base pesar ou se a articulação não alcançar o resultado esperado, um dos projetos poderá sair enfraquecido das urnas.

Por enquanto, o que existe é expectativa, movimentação e leitura política. A decisão final, como sempre, ficará nas mãos do eleitor.


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