A convenção estadual do Partido
Liberal (PL), realizada na última terça-feira (28), em São Luís, oficializou as
candidaturas proporcionais da legenda para as eleições de 2026 e marcou o
retorno de um dos grupos políticos mais tradicionais da Região Tocantina ao
centro das articulações estaduais.
Com a confirmação de Ulisses
Gonçalves como candidato a deputado estadual e de Cidonio Gonçalves
como candidato ao Senado Federal, o grupo liderado pelo ex-prefeito Ildemar
Gonçalves volta a disputar posições de destaque no cenário político
maranhense, recolocando Açailândia entre os municípios com protagonismo nas
eleições estaduais.
A trajetória do grupo começou a
ganhar força ainda na década de 1980. Em 1986, o médico e empresário Dr.
Petrônio Gonçalves, proprietário do Hospital São Sebastião, foi eleito
deputado estadual pelo PTB com 10.752 votos, tornando-se o primeiro
deputado estadual eleito por Açailândia, um marco histórico para a
representação política do município na Assembleia Legislativa do Maranhão.
Em 1992, Ildemar Gonçalves
conquistou sua primeira vitória para a Prefeitura de Açailândia. Dos 26.935
eleitores que compareceram às urnas, 11.204 escolheram Ildemar para
administrar o município, iniciando uma trajetória política que o transformaria
em uma das principais lideranças da história da cidade.
Ao longo dos anos, sua influência
ultrapassou os limites de Açailândia. Em 2002, disputou uma vaga ao
Senado Federal pelo PSDB, ampliando a presença política da Região Tocantina no
cenário estadual.
Em 2004, voltou a disputar
a Prefeitura e foi eleito para seu segundo mandato. Quatro anos depois,
em 2008, conquistou a reeleição, recebendo do eleitorado seu terceiro
mandato como prefeito de Açailândia.
Entre esses dois mandatos,
Ildemar também participou de um dos momentos mais importantes da política
maranhense. Nas eleições de 2006, como uma das principais lideranças do
sul do Maranhão, integrou o grupo que apoiou a candidatura do saudoso Dr.
Jackson Lago ao Governo do Estado. Na Região Tocantina, participou da mobilização
política que contribuiu para a vitória de Jackson Lago no segundo turno sobre Roseana
Sarney, resultado que encerrou um longo ciclo político no Maranhão.
A influência do grupo também se
refletiu na eleição de novas lideranças. Em 2010, com apoio do grupo
liderado por Ildemar Gonçalves, Hélio Santos, sobrinho do ex-prefeito,
foi eleito deputado federal com 58.413 votos, ampliando a representação
política de Açailândia em Brasília.
Já em 2022, Ildemar voltou
a integrar uma disputa ao Senado Federal como primeiro suplente na chapa
do ex-senador Roberto Rocha, que recebeu 1.211.174 votos em todo
o Maranhão.
Agora, em 2026, o grupo
político abre um novo capítulo de sua história. De um lado, Ulisses
Gonçalves busca uma vaga na Assembleia Legislativa; do outro, Cidonio
Gonçalves disputa o Senado Federal, levando novamente o sobrenome Gonçalves
para uma eleição de alcance estadual.
DESCENDO O VERBO
Poucos grupos políticos conseguem
permanecer ativos por tanto tempo sem perder espaço no debate público. A trajetória
construída pela família Gonçalves atravessa quase quatro décadas de eleições,
passando pela conquista do primeiro mandato de deputado estadual de Açailândia,
pela eleição de três prefeitos, pela representação na Câmara dos Deputados, por
uma disputa ao Senado e pela participação em um dos momentos mais marcantes da
política maranhense, a vitória de Jackson Lago em 2006.
A convenção do PL demonstra que
esse grupo pretende iniciar um novo ciclo político. A estratégia agora aposta
na renovação de suas lideranças, sem deixar de carregar o peso de uma história
construída ao longo dos anos.
Mas a política não vive apenas de
passado. O eleitor de 2026 é diferente, mais conectado, mais crítico e diante
de um cenário muito mais competitivo. O legado pode abrir portas, mas somente a
capacidade de dialogar com os desafios atuais transformará tradição em votos.
Independentemente do resultado
das urnas, a presença de Ulisses Gonçalves e Cidonio Gonçalves na disputa
estadual devolve à Região Tocantina um espaço de protagonismo que há anos não
era visto em uma mesma eleição, recolocando Açailândia entre os principais
polos de articulação política do Maranhão.
No fim
das contas, a história explica o presente. Mas será o voto do eleitor que
decidirá como será escrito o próximo capítulo da política maranhense.
