A divulgação da pré-nominata do
Republicanos para deputado estadual colocou o ex-prefeito de Açailândia, Aluísio
Sousa, no centro das discussões políticas. A competitividade da chapa,
formada por deputados de mandato, ex-prefeitos, ex-deputados e lideranças
regionais, trouxe um novo desafio para o ex-gestor: demonstrar força política
além de seu principal reduto eleitoral.
A trajetória de Aluísio na vida
pública começou no primeiro mandato do então prefeito Ildemar Gonçalves,
quando assumiu a Secretaria Municipal de Esportes. Posteriormente, comandou a
Secretaria de Infraestrutura, iniciando uma carreira que o levaria a ocupar
praticamente todos os principais cargos da política açailandense.
Em 1996, foi eleito
vereador pela primeira vez, pelo PTB, com 652 votos. Em 2000,
conquistou a reeleição pelo PSB com 897 votos. Já em 2004, eleito
pelo PFL, ampliou sua votação para 1.450 votos.
Nas eleições de 2008,
filiado ao PSDB, tornou-se o vereador mais votado de Açailândia ao receber 2.542
votos. Em 2012, repetiu o desempenho e voltou a liderar a votação
para o Legislativo Municipal, alcançando 2.175 votos, também pelo PSDB.
Durante cinco mandatos
consecutivos como vereador, presidiu a Câmara Municipal e exerceu ainda a
função de 1º vice-presidente do Legislativo, consolidando seu nome entre as
principais lideranças políticas do município.
Em 2016, deixou a Câmara
para disputar a eleição como vice-prefeito na chapa de Juscelino Oliveira. Após
a renúncia de Juscelino, oficializada por carta apresentada à Câmara Municipal
em 22 de agosto de 2019, Aluísio foi empossado prefeito no dia 23 de
agosto, conduzindo a administração municipal até o fim do mandato.
No ano seguinte, disputou pela
primeira vez a Prefeitura como candidato a prefeito e foi eleito com 23.586
votos, registrando a maior votação de sua carreira política.
UM NOVO DESAFIO
A eleição de 2026 representa um
cenário inédito para Aluísio Sousa.
Pela primeira vez desde que
iniciou sua trajetória política, disputará uma eleição sem exercer mandato
eletivo ou integrar a estrutura administrativa do município. Além disso, será
sua primeira disputa após o rompimento político com o grupo liderado pelo
ex-prefeito Ildemar Gonçalves, aliado que o acompanhou durante praticamente
toda sua trajetória eleitoral.
Outro fator que chama atenção é o
nível da pré-nominata do Republicanos.
Para demonstrar a força da chapa,
o Descendo o Verbo utilizou como critério a última eleição disputada
pelos principais pré-candidatos, independentemente do cargo.
|
Nome |
Último cargo disputado |
Ano |
Votação |
|
Edilázio
Júnior |
Deputado
Federal |
2022 |
71.999 |
|
Eric
Costa |
Deputado
Estadual |
2022 |
40.629 |
|
Janaína
Ramos |
Deputada
Estadual |
2022 |
38.927 |
|
Pará
Figueiredo |
Deputado
Estadual |
2022 |
37.186 |
|
Catulé
Júnior |
Deputado
Estadual |
2022 |
34.487 |
|
Adelmo
Soares |
Deputado
Estadual |
2022 |
34.365 |
|
Assis
Ramos |
Prefeito
de Imperatriz |
2020 |
34.253 |
|
Helena
Duailibe |
Deputada
Estadual |
2022 |
32.823 |
|
Ana do
Gás |
Deputada
Estadual |
2022 |
27.425 |
|
Júnior
Cascaria |
Deputado
Estadual |
2022 |
24.910 |
|
Socorro
Waquim |
Deputada
Estadual |
2022 |
24.580 |
|
Aluísio
Sousa |
Prefeito
de Açailândia |
2020 |
23.586 |
|
Jota
Pinto |
Deputado
Estadual |
2022 |
20.264 |
|
França
do Macaquinho |
Prefeita
de Santa Luzia |
2020 |
19.305 |
|
Rosana
da Saúde |
Vereadora
de São Luís |
2024 |
7.508 |
|
Sargento
Adriano |
Vereador
de Imperatriz |
2024 |
1.653 |
O levantamento não representa
projeção eleitoral, mas evidencia o capital político recente dos principais
nomes da legenda.
O QUE A HISTÓRIA ENSINA
As eleições proporcionais
demonstram que uma liderança consolidada em um único município nem sempre é
suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Um dos exemplos é o do
ex-deputado Sérgio Vieira. Em 2010, obteve 11.666 votos e
ficou na suplência. Já em 2018, ampliou sua votação para 19.537 votos,
sendo 17.672 em Açailândia e apenas 1.865 distribuídos em outros
municípios, permanecendo novamente como suplente.
Outro caso lembrado por analistas
políticos é o de Deusdete Sampaio, que ampliou sua base eleitoral para
Imperatriz e outras cidades da Região Tocantina, fortalecendo sua
competitividade e conquistando uma vaga na Assembleia Legislativa.
ANÁLISE
A pré-candidatura de Aluísio
Sousa inaugura um novo momento em sua trajetória política.
Depois de quase três décadas de
vida pública, o ex-prefeito chega à disputa estadual respaldado por uma
carreira construída como secretário municipal, vereador por cinco mandatos,
presidente da Câmara, vice-prefeito, prefeito em exercício e prefeito eleito.
Por outro lado, enfrentará um
cenário diferente daquele vivenciado nas eleições municipais.
Sem mandato e após o rompimento
político com o grupo de Ildemar Gonçalves, Aluísio terá o desafio de demonstrar
que sua liderança política pode ser ampliada para além de Açailândia.
Em uma nominata formada por
candidatos com expressivas votações e bases eleitorais distribuídas em
diferentes regiões do Maranhão, a construção de alianças e a regionalização dos
apoios passam a ser fatores importantes para medir a competitividade de sua
pré-candidatura.
Nos próximos meses, a capacidade
de ampliar sua presença política no estado deverá ser um dos principais
elementos observados por lideranças, analistas e pelo eleitorado na corrida por
uma vaga na Assembleia Legislativa.
